1 0 Tag Archives: saudade
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O amor sim, é retroativo.

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Of course I'm in Love with you Darling

Of course I'm in Love with you Darling

A gente se ilude com o amor. Acha que ele cura todos os problemas, que ele traz paz, ameniza a dor. As vezes, e não é tão infrequente assim, há quem inclusive ache que ele é suficiente para manter duas pessoas juntas pela eternidade, seja lá quanto tempo signifique uma eternidade do lado de alguém.
Uma eternidade é tempo demais.

E o amor, poderia ser como um antídoto global para todos os problemas, inclusive os locais, regionais, extraterrestres, intergalático e até mesmo, porque não, os particulares. Dosado em proporções homeopáticas ou em escalas megalomaníacas, seria a resposta para todos os problemas da humanidade, que, do ponto de vista do apaixonados, seja lá pelo que é que estejam apaixonados, não são muitos, visto que o problema da Humanidade é a pura e simples falta de amor, seja por si, pelo próximo ou pelo futuro.
O fato é que o amor não é nada, por si só. Seja o amor entre os amantes, seja o amor dos deuses, seja o amor (também) entre eles, por si só, é uma grande metáfora sem sentido nenhum.
Amor não enche barriga, amor não paga contas, amor não acorda antes do sol nascer pra pegar ônibus, amor não come o pão que o diabo amassou.
O amor é retroativo. É um resultado, uma fórmula, um grand finale.
O amor, matematicamente falando, é a soma de sentimentos, em um determinado intervalo de tempo onde seu coeficiente é positivo.
É o resultado de uma história onde todos os outros sentimentos se revezam. É olhar para trás e ver que, ao menos na maior parte das vezes, as coisas valiam a pena.
O amor não é o início das coisas. O amor é a conclusão delas.
A paixão é o ínicio das coisas. Não se explica paixão. A paixão não tem orçamento, não tem horário, não tem limites, não tem segurança, não tem moral.
O amor, esse sim, é explicado, verseado, parafraseado, romanceado, alterado. O amor conta dinheiro e sabe o valor que esse tem. O amor pondera, espera, reflete, delimita.
O amor tem parceria, sofrimento, angústia, saudade, vontade de ficar perto, longe, junto, sozinho.
O amor é chato. Processo de longo prazo. É financiamento de casa própria sem entrada. A paixão é invasão de domícilio.
O amor é clichê. A paixão também. E ambos, em suas crises existenciais, não sabem o que querem ser: A paixão que quer se tornar amor, e o amor, que saudoso escreve suas memórias de quando era paixão.

Amor não é uma condição. É um estado. Você não ama alguém. Você está amando. E o verbo, sim: aplicado no gerúndio, se limita ao menor intervalo de tempo possível ao qual ele possa se referir, seja ele, o mês, o dia, a hora ou o instante.
Você ama algo, alguma coisa, alguém, ou o raio que o parta, agora, e exclusivamente, agora. No máximo, torce para acontecer de novo amanhã.
Na verdade, torce mais para que o outro, que é o que em geral se ama, tenha outro instante de amar-te, e que esse instante se repita junto com os seus, para que não se torne aquela dor infindável de quando não é correspondido. A paixão se esbalda essa sincronia, o amor surge na falta dela. É a diferença quando um dos lados oscila, mas o outro, incessante amador, continua ali, esperando que os movimentos se coloquem nos eixos de novo.

A paixão é easygoing. O amor é Relações Públicas.

Não dá pra amar alguém pela vida toda. Não se você não chegou no fim da sua, já que por ser incondicional, é preciso que existam condições, e estas, por sua vez, precisam de tempo para se apresentarem e colocarem a prova os sentimentos.
Não se promete amor pela vida toda. O amor é retroativo.
Porque amanhã, te esbofeteia na cara uma outra paixão que lhe tire o fôlego, e deixas de amar em um instante.
Ou então, se der sorte, vais olhar para trás e ver que na maior parte do tempo, esteve amando.

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Ficou quieto, esperando esvair-se a esperança. Incapaz de abrir a boca, suspirou e deixou que o acaso e o destino providenciasse o futuro.

thiago RIGONATTI

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Saudade sempre acaba: Seja quando você tem de volta o que esperava, ou quando vc percebe que vai ter que conviver com a perda pra sempre.

thiago RIGONATTI

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Ainda que riam de mim

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Todos riem de mim
mas com certeza nao sou daqui
Sou de um caminho tão longo como é a saudade.
Talvez algum asteróide inerte
Quem sabe, talvez Marte

Sou de um lugar
Onde palavras são complementos
Para conversa que travamos.
Com uma dialética mecânica,
Sem receio,
Sem estanques.

Onde história se fazem aos pares,
Onde a dor é mutuamente suportada,
Onde tristeza é terrorismo.
E tempestades são copos d’água.

De um lugar lá no canto
Dum universo já sem bordas
Ve-se prosaico
Minha luta com a gravidade
Do receio de tirar-me
Do braço de quem amo.

Sou esquisto,
Podem rir,
Tenho certeza que não sou daqui.
Sou de um lugar onde
saudade,
temor,
silêncio,
ermo,
não fazem parte do nosso idioma.
Sou de lá,
Ainda que riam de mim.

Thiago Rigonatti

GrifaTexto - Ferreira Gular
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Causa e Consequência

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Porque duvidas de mim?
Se não contenho meus olhos,
Se meus sentimentos transbordam,
Se só com seu pensamento me conforto,
Se só em ti encontro paz,
Repouso, abrigo, carinho, descanso?!
Não duvides:
Pergunte ao amanhecer que testemunha
Cada sorriso meu;
Ao concreto que acompanha
Cada passo meu;
Ao meu peito que sofre
Com esse coração
Que bate cada vez mais forte,
Que quase salta-me pela boca,
Que só pensa em ti, por ti e para ti…
Mas antes pergunta-te, olhando em teus próprios olhares;
Pois você é a razão, motivo e causa…
E em você,
Apenas em você,
Encontrarás o motivo e resposta
Dessa paixão que me invade.

Thiago Rigonatti
11/11/01

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