Especialidade: Generalista

abril 12th, 2009 § 0

Eu sempre fui o tipo de pessoa que se aprofunda nas coisas que gosta.
Quando era criança, não passava mais de 24 horas sem mudar meu objetivo. Não que eu tivesse lá grandes objetivos ou que eles fossem tão complexos que precisassem de reflexões e validações. Eu simplesmente não conseguia passar de 24 horas com um objetivo, porque eu queria todos eles.

Em geral, meus amigos tinham algum sonho-padrão-infanto-juvenil: Médico, Policial, piloto de avião, bombeiro.
Sobre mim, dependia muito do que eu tinha visto no dia anterior.
Se tivesse assistido o Dragão Branco, queria ser ninja. Se tivesse lido Augusto dos Anjos largaria tudo pela poesia e boemia. Eu ainda me lembro, depois de ter assistido Top Gun, jurei a mim mesmo que compraria um gravador e aprenderia a pilotar Migs-29, só pra derrubar o Tom Cruise e ter um aprendiz como ele.

Eu sempre fui assim. Já escrevi poesia, colori quadrinhos e colecionei de tudo: selos, gibis, quebra-cabeças, copos, canetas, chaveiros, DVD japoneses, albúns de figurinhas da copa do mundo, formúla 1, Pókemon, Changeman.
Aos 13 anos, depois de ter lido o Tao da Física, resolvi fazer um curso de matemática integral. Aos 14, aprendi a calcular integrais e conhecia todos os matemáticos-físicos-astronomos-filosofos e suas teorias. Foi quando decidi ser astrofísico.

Desisti logo em seguida, quando percebi que poderia ser um exímio atirador de elite depois de jogar Paintball pela primeira vez. E o teria sido, se o sonho de se corredor de Fórmula 1 não tivesse se feito notar após um fantástico 1º lugar em uma corrida de kart.

A bem da verdade, eu não sou superficial. Minha avó chama isso de “ser oito ou oitenta”. Pois é. Eu sou. Se não gosto de algo, sequer molho os pés. Se entretanto algo me atraí, a superfície não me satisfaz. Estar na superfície é entendiante. É chato pacas. Você conhece do assunto, mas é incapaz de avaliar qualquer impacto sobre ele. Não dá pra falar de assunto se você só conhece a superfície dele.

Você senta numa roda de nerds por Star Trek. Os caras conhecem mundos, planetas, constelações, raças, modelos de naves, politicas interestelares e você no meio de algumas expressões reconhece (no maximo) um Spook…. Bah! Eu não aguento. Eu vou querer discutir a autoridade dos Bajorianos e sua influência na federação ou fazer você lembrar que Cocoon também era um musical.

Aí, eu fico aqui pensando que, no final das contas, isso não é de todo ruim. Na época medieval (eu já quis ter nascido nesse tempo quando assisti Coração Valente) a média de vida era algo aproximado dos 40 anos. Isso se você fosse azarado o suficiente pra não encontrar uma Joana D´arc da vida e sair lutando pelo mundo atrás de virar uma lenda.
Hoje, dá para chegar aos 70 com certa facilidade. Já que saúde, trabalho e condições de vida melhoraram, você pode se dar ao luxo de estar sempre renovando seus hobbys, prazeres e aprendizados.

Dá para fazer duas, três, quatro faculdades. Põs graduação, MBA, fotografia, blog, mergulho, pará-quedas.. e quando você enjoar de tudo isso ..pode começar ou procurar algo novo.

A fotografia foi minha estabilidade. Acho que é porque depois do click e a revelação, a história acaba. Só dá pra continuar se você inventar outra e começar tudo de novo.
Agora eu resolvi que vou voltar a escrever. Provavelmente, vai durar até eu achar outra coisa mais divertida.
Mas eu continuo assim.
Me especializando em ser generalista. No final das contas, eu quero mais é ter o que contar pros meus netos.

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