Por que nem só de pão e circo vive o homem.
Na verdade, por Pão e circo, morrem os homens.
Vão se uns, ficam-se outros. Esses outros, tocam o fardo num incontrolável caminho, que só faz-se para frente.
“- Segue o Barco!”
“- Toca a marcha!”
Que é de marcha que se faz a vida.
Deixa de ser flor aquela que do tronco se desfaz?
Para morrer no solo em paz?
E quem julga, que em sua queda,
Pseudo-suicida,
No trajeto entre copa e terra,
Não assiste o horizonte,
Cada vez mais alto,
E o chão,
Cada vez mais perto,
não é parte da jornada?
Cumpriu sua sentença
e encontrou-se com o único mal irremediável.
Aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra,
Aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados,
Porque tudo o que é vivo:
Morre.Chicó, no “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna


