Dois

novembro 18th, 2009 § 1

dois

Shh. Shh. Shh. Shh. Você ouviu isso? São os ventos da mudança. – Randall Boggs

Um

novembro 17th, 2009 § 1

http://www.rigonatti.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/1-365.jpg

O dia, é intervalo criado, nada mais é do que isso: um intervalo.
Fragmento de tempo que não se sabe se é perdido ou adicionado.
Pode ser um dia a mais, quando contabilizado na sua vivência, (se há nisso alguma valia)
ou dias a menos, quando olha para o seu fim.
Depende do quanto você teme sua própria morte.
Mas depende mais ainda do que você faz, enquanto esses dias, enquanto contabilizados, simplesmente acontecem a despeito do seu medo. Ignorando, mais ainda, o seu fim. – Thiago Rigonatti

O amor sim, é retroativo.

novembro 9th, 2009 § 1

Of course I'm in Love with you Darling

Of course I'm in Love with you Darling

A gente se ilude com o amor. Acha que ele cura todos os problemas, que ele traz paz, ameniza a dor. As vezes, e não é tão infrequente assim, há quem inclusive ache que ele é suficiente para manter duas pessoas juntas pela eternidade, seja lá quanto tempo signifique uma eternidade do lado de alguém.
Uma eternidade é tempo demais.

E o amor, poderia ser como um antídoto global para todos os problemas, inclusive os locais, regionais, extraterrestres, intergalático e até mesmo, porque não, os particulares. Dosado em proporções homeopáticas ou em escalas megalomaníacas, seria a resposta para todos os problemas da humanidade, que, do ponto de vista do apaixonados, seja lá pelo que é que estejam apaixonados, não são muitos, visto que o problema da Humanidade é a pura e simples falta de amor, seja por si, pelo próximo ou pelo futuro.
O fato é que o amor não é nada, por si só. Seja o amor entre os amantes, seja o amor dos deuses, seja o amor (também) entre eles, por si só, é uma grande metáfora sem sentido nenhum.
Amor não enche barriga, amor não paga contas, amor não acorda antes do sol nascer pra pegar ônibus, amor não come o pão que o diabo amassou.
O amor é retroativo. É um resultado, uma fórmula, um grand finale.
O amor, matematicamente falando, é a soma de sentimentos, em um determinado intervalo de tempo onde seu coeficiente é positivo.
É o resultado de uma história onde todos os outros sentimentos se revezam. É olhar para trás e ver que, ao menos na maior parte das vezes, as coisas valiam a pena.
O amor não é o início das coisas. O amor é a conclusão delas.
A paixão é o ínicio das coisas. Não se explica paixão. A paixão não tem orçamento, não tem horário, não tem limites, não tem segurança, não tem moral.
O amor, esse sim, é explicado, verseado, parafraseado, romanceado, alterado. O amor conta dinheiro e sabe o valor que esse tem. O amor pondera, espera, reflete, delimita.
O amor tem parceria, sofrimento, angústia, saudade, vontade de ficar perto, longe, junto, sozinho.
O amor é chato. Processo de longo prazo. É financiamento de casa própria sem entrada. A paixão é invasão de domícilio.
O amor é clichê. A paixão também. E ambos, em suas crises existenciais, não sabem o que querem ser: A paixão que quer se tornar amor, e o amor, que saudoso escreve suas memórias de quando era paixão.

Amor não é uma condição. É um estado. Você não ama alguém. Você está amando. E o verbo, sim: aplicado no gerúndio, se limita ao menor intervalo de tempo possível ao qual ele possa se referir, seja ele, o mês, o dia, a hora ou o instante.
Você ama algo, alguma coisa, alguém, ou o raio que o parta, agora, e exclusivamente, agora. No máximo, torce para acontecer de novo amanhã.
Na verdade, torce mais para que o outro, que é o que em geral se ama, tenha outro instante de amar-te, e que esse instante se repita junto com os seus, para que não se torne aquela dor infindável de quando não é correspondido. A paixão se esbalda essa sincronia, o amor surge na falta dela. É a diferença quando um dos lados oscila, mas o outro, incessante amador, continua ali, esperando que os movimentos se coloquem nos eixos de novo.

A paixão é easygoing. O amor é Relações Públicas.

Não dá pra amar alguém pela vida toda. Não se você não chegou no fim da sua, já que por ser incondicional, é preciso que existam condições, e estas, por sua vez, precisam de tempo para se apresentarem e colocarem a prova os sentimentos.
Não se promete amor pela vida toda. O amor é retroativo.
Porque amanhã, te esbofeteia na cara uma outra paixão que lhe tire o fôlego, e deixas de amar em um instante.
Ou então, se der sorte, vais olhar para trás e ver que na maior parte do tempo, esteve amando.

Charles Bukowski

novembro 2nd, 2009 § 0

Não me sinto bem com as pessoas, e depois de beber bastante elas parecem desaparecer.
em Hollywood
de CHARLES BUKOWSKI

grifatexto.blogspot.com
tirado do grifatexto

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