1 0 Archive | abril, 2009
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#microconto da humanidade

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o ser humano não é confiavel por natureza. Mas ser desprezivel é habilidade cultivada

thiago RIGONATTI

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#microconto de manhã

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Acordou lendo a previsão do horóscopo. Levantou nublado.

thiago RIGONATTI

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#microconto da perda

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Ela não sabia o que pensar, ele não sabia o que dizer. Foi então que se perderam.

Thiago RIGONATTI

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#microconto de esperança

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Ficou quieto, esperando esvair-se a esperança. Incapaz de abrir a boca, suspirou e deixou que o acaso e o destino providenciasse o futuro.

thiago RIGONATTI

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#microconto de saudade

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Saudade sempre acaba: Seja quando você tem de volta o que esperava, ou quando vc percebe que vai ter que conviver com a perda pra sempre.

thiago RIGONATTI

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Ainda que riam de mim

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Todos riem de mim
mas com certeza nao sou daqui
Sou de um caminho tão longo como é a saudade.
Talvez algum asteróide inerte
Quem sabe, talvez Marte

Sou de um lugar
Onde palavras são complementos
Para conversa que travamos.
Com uma dialética mecânica,
Sem receio,
Sem estanques.

Onde história se fazem aos pares,
Onde a dor é mutuamente suportada,
Onde tristeza é terrorismo.
E tempestades são copos d’água.

De um lugar lá no canto
Dum universo já sem bordas
Ve-se prosaico
Minha luta com a gravidade
Do receio de tirar-me
Do braço de quem amo.

Sou esquisto,
Podem rir,
Tenho certeza que não sou daqui.
Sou de um lugar onde
saudade,
temor,
silêncio,
ermo,
não fazem parte do nosso idioma.
Sou de lá,
Ainda que riam de mim.

Thiago Rigonatti

GrifaTexto - Ferreira Gular
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Tratado I: Shrek, Narizinho e a vida extra-terrestre.

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O fato é que, além de não ter tempo para procurar extra terrestres, se ela existe ou não, se está aqui do lado ou a uma distância que a gente mal consegue entender em como medir, a gente não tem tempo para mais nada.
Há algum tempo atrás, se um alienígena viesse dar um passeio por essas pradagens provavelmente seria visto por algum ser que estaria sentado embaixo de alguma árvore.
Se ele tivesse passado hoje, entretando seria ignorado solenemente enquanto eu escrevo esse post.
A janela continua fechada e, mesmo que, estivesse aberta eu ainda teria dezenas de explicações antes de considerar que qualquer luz em movimento seria uma oportunidade de comunicação interestelar.

Eu ainda lembro, e eu nem sou tão velho assim – não tanto quanto esses costumes que são, por vezes, mais antigos que a própria dúvida de o quanto são velhos – de uma lenda urbana de que contar estrelas faria brotar na ponta de meu dedo uma verruga. Sim! Uma V.E.R.R.U.G.A! Símbolo maior da identidade feiticeira. O temor de todas meninas e meninos. Uma deficiência irremedíavel!

Eu não arrisco dizer isso para uma criança hoje. Se o fizesse, e ela estivesse perto de um computador, coisa não tão dificil quanto imaginá-la se divertindo com um caminhão de madeira quarenta anos atrás, iria dizer que isso não passava de uma crendice boba para evitar que desenvolvesse o costume de apontar para as coisas, mas que nada mais era do que a proteína viral E6 ligando-se à proteína supressora tumoral p53, inibindo a sua função de forma reversivel. .

Sério. Acabou a fantasia. Não dá mais para inventar uma história fantástica. O mais próximo que a gente chega disso são desenhos da Pixar. Sabe o que mais me surpreende? São os adultos que colecionam, compram os DVDs, recontam as histórias.
As crianças? Ficam ali sentadas vendo aquele mundo de cores, movimentos, caras engraçadas. Eu nunca vi uma criança querendo ser o Nemo, o Wazowsky ou brincando de Relâmpago McQueen.

Peter Pan Keingston GardenEu era do tempo que você ouve Peter Pan e sai dizendo que areia é pó de Pir lim Pim Pim, que as fadas poderiam morrem se vocês não acreditava nelas.
Eu era do tempo em que ficar na janela querendo acreditar em fadas, viscondes, bonecas faltantes, e reinos submarinos. Tempo em que eu não queria crescer, ao invés de mal poder esperar para ser adulto, famoso, pop e adorado.
De uma época onde quando um Visconde se afogava voltava como Doutor (nessa caso Dr.Livingstone) e na companhia de um burro conselheiro, me explicava mistérios espaciais.

Talvez ele me explicasse porque eu não consigo mais ver extraterrestres.
Talvez ele me explicasse porque a gente perde tanto não, não querendo perder tempo.

Eu tenho saudade dessa época.
Hoje a noite, só pra variar, vou sentar embaixo de alguma árvore. Vou contar estrelar espremendo os olhos, cansados pelo uso do computador, para não precisar usar a ponta do dedo. Vou ler Reinações de Narizinho ao invés de assistir Sherek (e perceber que a muito mais semelhanças entre Monteiro Lobato e a Pixar do que eu imaginei).
Vou ficar ali esperando um extraterrestre ser inventado na iluminação de um avião.
Se eu não conseguir, amanhã tento de novo, eles devem estar lá em algum lugar.

p.s: eu preciso confessar que fui até Kensington Gardens, em Londres só para ver a estátua de Peter Pan tocando flauta.

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Especialidade: Generalista

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Eu sempre fui o tipo de pessoa que se aprofunda nas coisas que gosta.
Quando era criança, não passava mais de 24 horas sem mudar meu objetivo. Não que eu tivesse lá grandes objetivos ou que eles fossem tão complexos que precisassem de reflexões e validações. Eu simplesmente não conseguia passar de 24 horas com um objetivo, porque eu queria todos eles.

Em geral, meus amigos tinham algum sonho-padrão-infanto-juvenil: Médico, Policial, piloto de avião, bombeiro.
Sobre mim, dependia muito do que eu tinha visto no dia anterior.
Se tivesse assistido o Dragão Branco, queria ser ninja. Se tivesse lido Augusto dos Anjos largaria tudo pela poesia e boemia. Eu ainda me lembro, depois de ter assistido Top Gun, jurei a mim mesmo que compraria um gravador e aprenderia a pilotar Migs-29, só pra derrubar o Tom Cruise e ter um aprendiz como ele.

Eu sempre fui assim. Já escrevi poesia, colori quadrinhos e colecionei de tudo: selos, gibis, quebra-cabeças, copos, canetas, chaveiros, DVD japoneses, albúns de figurinhas da copa do mundo, formúla 1, Pókemon, Changeman.
Aos 13 anos, depois de ter lido o Tao da Física, resolvi fazer um curso de matemática integral. Aos 14, aprendi a calcular integrais e conhecia todos os matemáticos-físicos-astronomos-filosofos e suas teorias. Foi quando decidi ser astrofísico.

Desisti logo em seguida, quando percebi que poderia ser um exímio atirador de elite depois de jogar Paintball pela primeira vez. E o teria sido, se o sonho de se corredor de Fórmula 1 não tivesse se feito notar após um fantástico 1º lugar em uma corrida de kart.

A bem da verdade, eu não sou superficial. Minha avó chama isso de “ser oito ou oitenta”. Pois é. Eu sou. Se não gosto de algo, sequer molho os pés. Se entretanto algo me atraí, a superfície não me satisfaz. Estar na superfície é entendiante. É chato pacas. Você conhece do assunto, mas é incapaz de avaliar qualquer impacto sobre ele. Não dá pra falar de assunto se você só conhece a superfície dele.

Você senta numa roda de nerds por Star Trek. Os caras conhecem mundos, planetas, constelações, raças, modelos de naves, politicas interestelares e você no meio de algumas expressões reconhece (no maximo) um Spook…. Bah! Eu não aguento. Eu vou querer discutir a autoridade dos Bajorianos e sua influência na federação ou fazer você lembrar que Cocoon também era um musical.

Aí, eu fico aqui pensando que, no final das contas, isso não é de todo ruim. Na época medieval (eu já quis ter nascido nesse tempo quando assisti Coração Valente) a média de vida era algo aproximado dos 40 anos. Isso se você fosse azarado o suficiente pra não encontrar uma Joana D´arc da vida e sair lutando pelo mundo atrás de virar uma lenda.
Hoje, dá para chegar aos 70 com certa facilidade. Já que saúde, trabalho e condições de vida melhoraram, você pode se dar ao luxo de estar sempre renovando seus hobbys, prazeres e aprendizados.

Dá para fazer duas, três, quatro faculdades. Põs graduação, MBA, fotografia, blog, mergulho, pará-quedas.. e quando você enjoar de tudo isso ..pode começar ou procurar algo novo.

A fotografia foi minha estabilidade. Acho que é porque depois do click e a revelação, a história acaba. Só dá pra continuar se você inventar outra e começar tudo de novo.
Agora eu resolvi que vou voltar a escrever. Provavelmente, vai durar até eu achar outra coisa mais divertida.
Mas eu continuo assim.
Me especializando em ser generalista. No final das contas, eu quero mais é ter o que contar pros meus netos.

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